Arqueologia
Claustro do Refeitório
A limpeza dos entulhos superficiais, cuja acumulação se terá iniciado com o incêndio de 1894, permitiu identificar com rigor os traçado e alinhamento das paredes principais e secundárias, bem como a modulação das arcarias do claustro ao nível do rés-do-chão, a partir dos restos de paredes e/ou alicerces e das marcas de assentamento das bases das colunas.
Na banda Sul os cortes escavados confirmaram a localização do refeitório, que se estendia da cozinha até à porta que actualmente liga o claustro à horta pelo lado Sul, fazendo-se o acesso, através de degraus e uma porta, junto ao “lavatório” na confluência com a ala poente. Uma outra passagem, em arco de volta perfeita, ladeada por dois “armários” embutidos na parede, fazia a ligação directa à cozinha, do lado Oeste.
Da organização do espaço interior do refeitório setecentista conservam-se parte do poderoso pavimento central em lajes de granito, que se estendia a todo o comprimento da sala, rodeado pelos lados Norte, Este e Sul por um degrau, obtido pelo recorte do solo. Nas paredes restam algumas das mísulas de granito que suportavam os assentos dos bancos, com respaldos revestidos por azulejos policromos (colocação registada no ano de 1677). Embutido a meio da parede Sul, confirmou-se a localização do púlpito, com uma pequena janela rasgada para o exterior, ao qual se acedia por três estreitos degraus.
No lado Norte do claustro definiu-se o perfil topográfico do subsolo, confirmando a existência de um acentuado desnível natural no sentido poente-nascente, marcado a partir do terço final da ala. Confirmou-se também a sobreposição das construções de princípios de seiscentos aos restos de construções anteriores que foram totalmente demolidas para permitir a fundação dos alicerces das paredes do século XVII no solo natural, relevando a grande profundidade destes - atingem cerca de 6 metros, obrigando a um grande aterro para elevar os pavimentos ao nível do pátio do claustro.
Entre o espólio recolhido nesta zona, destaque para uma tijela de porcelana do século XVI, para um prato de faiança setecentista com o brasão da ordem Beneditina portuguesa e para uma estátua de Santa Escolástica em terracota, do século XVIII.
